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Bio

DJ Clandestino

É colombiano, radicado em Brasília desde 2017. Pesquisa e toca ritmos dançantes afro-caribenhos, especialmente a matriz cultural da Cumbia em suas variações contemporâneas e regionais: desde o México com os “Sonideros” (a aparelhagem ou soundsystem local) e a Cumbia rebajada, passando pelo Perú com a Chicha e a Cumbia Psicodélica até a Argentina com a Cumbia Villera e, claro, o movimento neo-tropical da Colômbia.

Sempre explorando a veia dançante da tropicália hispana, surfa também nos clássicos do alegre gênero do Merengue da República Dominicana. E, como não podia ser diferente, trabalha com o universo do fenômeno mais relevante da música latina no mundo: o reguetón. Surgido a partir de raízes rítmicas afro-caribenhas esse ritmo já conta com subgêneros interessantes e exponentes que vão muito além da prática comercial mais global e que se misturam maravilhosamente com outros gêneros caribenhos como a Champeta, Zouk, Calypso e Dembow. Ritmos esses que têm forte relação com expressões musicais brasileiras do norte e que com elas fazem um mix perfeito como a Guitarrada, Carimbó, Sirimbó, Lamabada, dentre outros.

Com anos de trajetória na música como pesquisador, percussionista, radialista e DJ, está à procura de uma definição mais acertada para os ritmos e cultura que no Brasil são chamados de “latinos” e que, na verdade, reúnem uma série de expressões extremamente ricas e variadas que acabam sendo simplificadas nesse rótulo. Procura também, mas não está sozinho nesse empenho já que vários pesquisadores, DJs e produtores também o fazem, quebrar o lugar comum que pretende que musicalmente o Brasil estaria de costas para a América Latina. Ideia essa que não condiz com a realidade do norte do Brasil, onde historicamente os ritmos caribenhos têm flertado com a cultura local e participado na formação do universo musical dessa região.

Como percussionista participou na Colômbia da agrupação musical “Batucada Unidos do Uirapuru”, dirigida pelo mestre Arturo Suescún e foi um dos fundadores do “Bloco dos Jumentos”, também em Bogotá, sendo um grupo precursor das expressões musicais de rua de origem afro-brasileiro na Colômbia. Sobre essa experiência cultural e musical produziu o filme documentário “Samba en las alturas”, que retrata essa trajetória. No Brasil, em Porto Alegre, foi membro fundador do bloco de carnaval “Turucuta” e participou do movimento de revitalização do carnaval de rua na cidade.

No Rio de Janeiro participou durante anos do bloco “Bésame Mucho”, inspirado em ritmos e músicas hispano-americanas, além de ser ritmista na bateria "Swinguiera de Noel" da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. Em Brasília faz parte da fanfarra das “Cumbias Psicodélicas”, que prestam homenagem às diversas expressões da Cumbia, e também fez parte do projeto Samba Nosso.

Como pesquisador musical produziu durante quatro anos o programa de rádio “Clandestino. Música sem documentos” da Rádio Eixo, no qual percorria, do ponto de vista musical e cultural, ritmos, gêneros, artistas, instrumentos e festivais dos países hispanos, trazendo para o público local e nacional um pouco desse panorama. O projeto recebeu o apoio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC DF) e da Embaixada da Espanha no Brasil.

Junto com o músico e pesquisador Gustavo Pozzobon, realizou o projeto de pesquisa e divulgação “Rios Voadores”, no qual revisitavam a relação e influência dos ritmos caribenhos na música do norte brasileiro e as repercussões desta em outras regiões da Amazônia. Esse projeto recebeu apoio do Programa Ibermúsicas.